Orgânicos: alimentos saudáveis? Vale a pena pagar mais?

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Se você é do tipo que só come fast food, coxinha e pastel de feira e não está nem aí para uma alimentação mais saudável, nem perca tempo em ler este artigo! Mas se você procura uma alimentação melhor com produtos orgânicos, vai se surpreender…

Como tudo nessa vida é moda, já teve a moda do ovo faz bem, ovo faz mal, etc., atualmente estamos vivendo uma “onda” dos alimentos orgânicos e produtos “naturais”. Mas será que essas coisas realmente fazem sentido?

Você sabe o que são alimentos orgânicos?

O ‘mundo’ orgânico refere-se ao modo de cultivo agrícola como frutas, vegetais e produção de carne sem o uso dos métodos convencionais de fertilização e controle das sementes, e sem uso de inseticidas industrializados.

Pois bem qual seria o benefício de produzir e consumir alimentos cultivados deste modo?

Em teoria, estaríamos livres de produtos químicos utilizados para a adubação e livres dos inseticidas “químicos”… Mas, a não ser que se viva como um homem das cavernas, bem longe da civilização, é impossível não ter contato com esses insumos considerados “tóxicos” por muitos, pois duvido que alguma pessoa no mundo moderno consiga consumir produtos somente de origem orgânica (e lembre-se que a diferença entre o remédio e o veneno é apenas a dose…). Certamente, pelo menos indiretamente, você vai consumir alimentos preparados com produtos não orgânicos em restaurantes, padarias, lanchonetes, etc. Ou você vai levar sua marmita de casa para todos os locais onde for? Até mesmo aquela cervejinha de final de semana, dificilmente será produzida da forma 100% orgânica…

Alguém deve estar pensando “…mas vou diminuir a minha exposição a esses produtos químicos, consumindo apenas orgânicos…”, faz sentido, porém, os níveis de segurança para a utilização dos fertilizantes e inseticidas são muito amplos. Portanto, a não ser que o produtor queira mesmo envenenar seus consumidores, o risco de super-exposição ao se consumirem produtos oriundos do cultivo tradicional é baixo, como constatado pela Mayo Clinic, renomada instituição de saúde dos Estados Unidos.

Além disso, certamente você não acreditaria, ou pelo menos a maioria das pessoas de bom senso não confiaria num tratamento médico milagroso ou num medicamento ‘revolucionário” se não fossem realizados estudos científicos sérios sobre determinado assunto. Pois bem, nenhum estudo científico realmente comprovou que os alimentos orgânicos são melhores que os não orgânicos.
Tampouco os alimentos orgânicos são mais nutritivos que os não orgânicos. Pesquisadores da Universidade de Stanford, Califórnia, analisaram várias publicações científicas em 2012, reunindo os melhores trabalhos científicos produzidos até então, e concluem que não há diferenças no conteúdo nutricional dos produtos orgânicos e não orgânicos. (Leia o resumo aqui)

Portanto cuidado, seguir os conselhos nutricionais da Bela Gil e de outras tantas veganas de plantão, sobre alimentos orgânicos, parece não ter muita sustentação científica. Elas podem ser ótimas cozinheiras, mas…

Controle da produção de produtos orgânicos

Para que um certo produto seja considerado orgânico, certas normas internacionais, com alguma variação regional de país para país, devem ser seguidas e aqueles que seguem as regras, geralmente podem utilizar um selo, regulado pelas agências locais de controle, que caracteriza o produto como orgânico.

Nos Estados Unidos só é permitido o uso do selo “orgânico” nos produtos com pelo menos 95% de orgânicos e 100% orgânico nos produtos isentos de produtos convencionais (no caso de produtos feitos com mais de um ingrediente, por exemplo cereais matinais, etc).

Aqui no Brasil também existe um selo que qualifica os produtos orgânicos, entretanto a regulamentação pode ser feita tanto por cooperativas de produtores locais, como por auditorias externas. Estas últimas talvez mais confiáveis, já que seguem as regras internacionais.  O selo concedido por cooperativas locais dá margem à possibilidade razoável de produtores se “auto denominarem” orgânicos, sem que todas as regras sejam de fato seguidas. É como pedir para os macacos tomarem conta das bananas…lógico que existe gente séria por aqui, mas o controle pode não ser tão rigoroso. Cuidado! A diferença no selo é muito sutil. No selo conferido por auditoria, existe menção a este fato, no conferido por cooperativas não há.

Lembre-se ainda que “produtos orgânicos” e “produtos naturais” não são termos intercambiáveis, ou seja, não são a mesma coisa. Cuidado para não ser enganado, pode estar comprando uma coisa e levando outra. Além disso, os produtos orgânicos costumam ser mais caros que os convencionais.

Fique atento também às características físicas dos vegetais e frutas. Por exemplo, frutas com aspecto perfeito, brilhosas e simétricas geralmente são resultado do cultivo tradicional, as produzidas pelo método orgânico costumam sem menores, menos chamativas e com algumas pequenas deformidades.

O mais importante não é o radicalismo do consumo “orgânicos vs não-orgânicos”, é o quê você come. Consumir frutas, grãos e outros vegetais deve fazer parte da dieta e fará a diferença ao longo dos anos. A organização mundial da saúde recomenda que menos de 10% da nossa dieta deve conter açúcares, menos que 20% deve conter gorduras, principalmente as saturadas, e devemos consumir vegetais e frutas regularmente nas refeições (não se engane comendo apenas uma folha de alface durante o almoço ou jantar).

Devemos tomar cuidado com a idéia que é “vendida” para nós, pobres mortais, sobre os benefícios de um alimento X ou Y. A propaganda pode ser enganosa…

Espero que tenham aproveitado as informações, deixem comentários e sugestões.

Até o próximo artigo!

 

Links relacionados

http://annals.org/aim/article/1355685/organic-foods-safer-healthier-than-conventional-alternatives-systematic-review

https://www.theguardian.com/environment/2014/jul/11/organic-food-more-antioxidants-study

http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2011/10/lei-de-regulamentacao-de-produtos-organicos-e-atualizada

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20032016000200361

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs394/en/

http://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/nutrition-and-healthy-eating/in-depth/organic-food/art-20043880?pg=1