Trombose venosa profunda: sintomas, diagnóstico e tratamento.

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Antes de mais nada, você sabe o que é trombose venosa?

Você já deve ter ouvido falar e provavelmente se assusta com a palavra “trombose”. Pois bem, o tema merece atenção, mas há seguramente muita desinformação sobre o assunto (leia sobre os tipos de trombose).

A formação de coágulos é um evento normal e deve ocorrer para que pequenos ferimentos que podem ocorrer durante a vida não se transformem em uma catástrofe e leve à hemorragias incontroláveis. Quando esse fenômeno acontece dentro de um vaso sanguíneo e interrompe a circulação, chamamos trombose. Se ocorrer em uma veia, denomina-se de trombose venosa, e a localização mais frequente é no sistema venoso profundo dos membros inferiores (perna e coxa).

Fatores de risco para trombose venosa profunda

Em geral, a trombose venosa está associada a um fator predisponente, que chamamos de fator de risco para trombose venosa profunda (TVP).

A TVP, caracteristicamente, é um problema relacionado a pacientes hospitalizados, o que não quer dizer que seja privilégio somente de pacientes internados. Pode ocorrer em qualquer pessoa, porém é substancialmente mais comum em pessoas que necessitam de internação hospitalar. Para exemplificar, na população geral sua ocorrência é de 16 a cada 100.000 pessoas, ou seja, 0,16%, uma incidência relativamente baixa. Se considerarmos por exemplo pessoas submetidas a uma cirurgia para colocação de prótese de quadril, sua ocorrência pode chegar a 70% dos pacientes caso não sejam instituídas medidas adequadas de prevenção da TVP; um número alarmante!

  • Pós-operatório

Cirurgias de grande porte, sobretudo as que são realizadas em condições de emergência, são altamente de risco para a ocorrência de TVP

  • Imobilizações

Pacientes acamados, sobretudo os hospitalizados, mesmo que seja para tratamentos não relacionados a procedimentos cirúrgicos, estão expostos a risco considerável de desenvolver TVP. Mesmo imobilizações de membros, que podem parecer inocentes, para tratamento de entorses ou fraturas aumentam o risco de TVP.

  • Traumatismos

Pessoas vítimas de acidentes estão entre os mais suscetíveis à ocorrência de TVP.

  • Câncer

Ocorrência de câncer e sobretudo durante quimioterapia é altamente de risco pata TVP

  • Obesidade

Quanto maior o índice de massa corporal, maior o risco de TVP

  • Idade

TVP é um problema que aumenta com a idade. Crianças e adolescente raramente desenvolvem TVP, já os idosos, principalmente sob tratamentos médico-cirúrgicos são os mais susceptíveis

  • Gravidez e período pós-parto

O risco aumenta substancialmente durante a gravidez, e mais ainda nos primeiros 40 dias pós-parto (leia mais sobre TVP e gravidez).

  • Pílula anticoncepcional

Uso dos contraceptivos orais contendo estrógenos e progesterona aumenta substancialmente o risco de TVP, pior ainda se a mulher for fumante. Cigarro e pílula é uma mistura catastrófica! Converse com seu ginecologista sobre outros métodos contraceptivos. DIU, com ou sem liberação de hormônios, é muito mais seguro.

  • Predisposição familiar

Existem condições geneticamente determinadas que estão relacionadas a aumento de risco para TVP. Geralmente determinam TVP em pessoas jovens, mesmo sem outros fatores de risco, ou seja, relacionam-se a tromboses venosas espontâneas.

Por que se preocupar com a trombose venosa?

A trombose venosa profunda pode gerar complicações, por isso nos preocupamos com o diagnóstico e tratamento precoces. , e principalmente com a prevenção.

As duas principais complicações relacionadas ao evento, uma aguda e outra crônica, são respectivamente a embolia pulmonar e insuficiência venosa crônica.

Embolia pulmonar

A embolia pulmonar ocorre quando há o desprendimento de um fragmento do coágulo do local da trombose e esse trombo então se desloca pela circulação até se alojar nos pulmões. A embolia pode ser um evento sem sintomas, ou com sintomas muito leves, ou até levar a morte, dependendo da extensão do coágulo que se desprende.

Se ocorrer, isso geralmente acontece até o 14o. dia do início dos sintomas, o período mais crítico para a doença. Caso seja diagnosticada precocemente e adequadamente tratada, a trombose venosa tem uma evolução geralmente benigna, sem provocar embolia pulmonar. Já em alguns casos, o primeiro sintoma já é a embolia.

Insuficiência venosa crônica

A complicação crônica, aquela que ocorre tardiamente, não leva à morte, porém pode ser bastante desagradável e se manifestar pelo aumento de varizes na perna acometida (geralmente as tromboses venosas ocorrem nas pernas) e pode levar ao desenvolvimento de úlceras varicosas, aquelas feridas relacionadas às varizes.

Sintomas da TVP

Geralmente esses eventos ocorrem nas veias dos membros inferiores (pernas) e podem ser assintomáticos (sem sintomas) ou muito desconfortáveis, dependendo da extensão do trombo. Coágulos pequenos e localizados em veias de menor importância para a circulação podem passar despercebidos e a pessoa nem desconfiar da trombose. Já coágulos extensos e que acometem grandes segmentos venosos podem gerar um desconforto muito grande.

Os sintomas clássicos são o edema (inchaço) e dor na perna acometida. A característica da dor é muito importante, pois não é qualquer tipo de dor que leva à suspeita de uma TVP. Habitualmente a dor decorrente da TVP é como um peso e cansaço que geralmente aumentam ao longo de dois ou três dias. Caso o inchaço acompanhe a dor, sem melhora ou com pouca melhora no decorrer deste período, fique atento e procure um cirurgião vascular. O evento geralmente se desenvolve em um dos membros; raramente a TVP acontece nas duas pernas ao mesmo tempo.

Diagnóstico da TVP

Se houver suspeita, a trombose deve ser pesquisada o mais breve possível, pois como foi mencionado, as primeiras duas semanas após o início dos sintomas são críticas, e se confirmado o diagnóstico o tratamento deve ser instituído imediatamente.

A confirmação é feita através de exames complementares. O mais indicado atualmente é o ultrassom com Doppler, que em mãos capacitadas é extremamente confiável. Tomografia computadorizada, ressonância magnética, flebografia, ou mesmo exame de sangue (dímero-D), podem ser realizados em casos excepcionais, mas habitualmente desnecessários.

Tratamento da trombose venosa

O tratamento de escolha para a trombose venosa é feito através da administração de anticoagulantes, medicamentos que reduzem a coagulabilidade do sangue, e que podem ser administrados de várias formas, endovenosa, injeções subcutâneas ou via oral, dependendo do caso e de acordo com a experiência de cada médico. O tempo de tratamento, em geral, é de 3 a 6 meses.

Atualmente, novos anticoagulantes permitem o tratamento ambulatorial, ou seja, sem necessidade de internação hospitalar, algo impensável há 15 ou 20 anos atrás.

Prevenção da TVP

Como mencionei acima, em pessoas com fatores de risco para TVP, principalmente pacientes internados, devem entrar em programas de profilaxia de TVP. Em geral, em pacientes internados, fazemos a prevenção através da administração de anticoagulantes, que muitas vezes devem ser continuados após a alta hospitalar. Caso precise de algum tratamento em regime de internação hospitalar, não deixe de perguntar a seu médico sobre a prevenção da TVP.

Não se esqueça de tentar manter um programa de atividades físicas regular e manter seu peso dentro de limites aceitáveis para sua idade e biotipo, pois o controle da obesidade e fortalecimento da musculatura das pernas é importante para a circulação.

Viagens de avião

Há muita especulação sobre prevenção de TVP em pessoas pretendem fazer viagens longas, sobretudo de avião. Como mencionei acima, a imobilização é um fator de risco para TVP, entretanto, não há evidência científica suficiente para sustentar uso de medicações anticoagulantes para viajantes, seja de avião, trem, carro, ônibus, etc. Portanto, o mais apropriado é movimentar as pernas periodicamente, o que facilita a circulação do sangue venoso. Exceto em casos muito particulares, as diretrizes médicas atuais não recomendam anticoagulação em viajantes. O uso de anticoagulantes não é absolutamente isento de riscos! (saiba mais sobre TVP e viagens longas)

Outras opções de tratamento…

Existem outros métodos de tratamento para trombose venosa profunda, como o uso de filtros de veia cava inferior, fibrinólise, angioplastia venosa, etc. Porém são métodos de exceção, não a regra…

Espero ter esclarecido o assunto. Ainda tem alguma dúvida? Mande suas sugestões e comentários.

Assista também o vídeo sobre o assunto.